Direita vê "sinuca" para Lula e PT rejeita redução da maioridade penal
A aprovação da proposta que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados provocou reações opostas entre governistas e oposição.
Para parlamentares da direita, a pauta conta com amplo apoio popular. O deputado Ricardo Salles (Novo-SP) afirmou que o tema coloca a esquerda em uma situação difícil, comparando o debate ao que a proposta do fim da escala 6x1 representa para setores da direita: uma pauta popular sobre a qual é difícil se posicionar contra.
A decisão também passou sem manifestações públicas relevantes do presidente Lula (PT) e de parlamentares petistas que costumam comentar temas políticos nas redes sociais.
Uma pesquisa Real Time Big Data divulgada em maio apontou apoio à redução da maioridade penal entre 90% do eleitorado em geral e 81% dos eleitores de Lula, números que ajudam a explicar a cautela de integrantes do governo diante do tema.
Quando questionados, representantes do PT mantiveram posição contrária à proposta. Gutierrez Barbosa, integrante do diretório nacional do partido, afirmou que a redução da maioridade penal nunca fez parte do programa petista e defendeu que o encarceramento precoce não é a melhor solução.
Na mesma linha, o sociólogo Benedito Mariano, que participou da formulação das propostas de segurança pública da campanha de Lula em 2002, classificou a medida como demagógica e disse esperar que ela não avance. Segundo ele, a maioria dos crimes não envolve a participação de menores de idade.
A proposta aprovada na CCJ ainda precisa passar por outras etapas de tramitação na Câmara e no Senado antes de uma eventual mudança na Constituição.
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